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    Psicofarmacologia9 min de leitura

    Remédios para ansiedade: o que a psiquiatria realmente prescreve e por quê

    05 Abr 2026 · Dr. João Pedro Castro

    Quando um paciente procura o psiquiatra por ansiedade, a expectativa costuma ser sair do consultório com um 'calmante'. Mas o tratamento farmacológico da ansiedade é mais nuançado do que simplesmente sedar. Existem diferentes classes de medicamentos, cada uma com mecanismo de ação, tempo para início de efeito e perfil de risco distintos. A escolha depende do diagnóstico específico, da gravidade, das comorbidades e do perfil do paciente.

    Os antidepressivos são, na maioria dos casos, a primeira linha de tratamento dos transtornos de ansiedade. Isso causa estranhamento em muitos pacientes: 'Mas eu não estou deprimido.' O nome da classe é historicamente enganoso. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) — sertralina, escitalopram, fluoxetina, paroxetina — e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) — venlafaxina, duloxetina, desvenlafaxina — atuam na modulação dos circuitos de medo e apreensão no sistema límbico.

    O efeito ansiolítico dos antidepressivos não é imediato. Leva de 2 a 6 semanas para se estabelecer plenamente. Nas primeiras semanas, aliás, pode haver piora paradoxal da ansiedade — um efeito transitório que é a principal causa de abandono precoce do tratamento. Por isso, o psiquiatra precisa preparar o paciente para esse período e, quando necessário, associar temporariamente outro medicamento.

    É nessa janela inicial que entram os benzodiazepínicos: clonazepam (Rivotril), alprazolam (Frontal), diazepam (Valium), lorazepam (Lorax). Eles agem no receptor GABA-A, o principal neurotransmissor inibitório do cérebro, produzindo efeito ansiolítico rápido — em 20 a 40 minutos. São eficazes, mas carregam riscos reais: tolerância (necessidade de doses crescentes), dependência física e psicológica, comprometimento cognitivo, risco de quedas em idosos e síndrome de abstinência potencialmente grave se descontinuados abruptamente.

    Por esses motivos, as diretrizes internacionais recomendam que os benzodiazepínicos sejam usados pelo menor tempo possível, em doses baixas, e nunca como monoterapia a longo prazo para transtornos de ansiedade. Infelizmente, o uso crônico de clonazepam e alprazolam ainda é endêmico no Brasil — frequentemente iniciado em consultas de outras especialidades e mantido por anos sem reavaliação.

    A pregabalina (Lyrica) ocupa um espaço intermediário. Originalmente desenvolvida como anticonvulsivante, ela se liga aos canais de cálcio voltagem-dependentes (subunidade alfa-2-delta), reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios. Tem indicação formal para Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) na Europa, com início de efeito mais rápido que os antidepressivos (em torno de 1 semana) e sem o risco de dependência clássica dos benzodiazepínicos — embora relatos de uso recreativo e potencial de abuso existam, especialmente em doses altas.

    Outros medicamentos usados em situações específicas incluem a buspirona (agonista parcial 5-HT1A, eficaz no TAG mas com início lento e resultados modestos), a hidroxizina (anti-histamínico com efeito ansiolítico sedativo, útil quando se quer evitar benzodiazepínicos) e betabloqueadores como propranolol (que não tratam a ansiedade central, mas controlam sintomas periféricos como taquicardia e tremor — muito usados em ansiedade de desempenho).

    A escolha do medicamento é uma decisão clínica individualizada. Um paciente com TAG e insônia se beneficia de uma estratégia diferente de um paciente com pânico e taquicardia. Um idoso com ansiedade exige cautela com benzodiazepínicos que um adulto jovem não exige. E nenhum medicamento substitui a psicoterapia: a combinação de farmacoterapia e TCC tem as melhores taxas de resposta e os menores índices de recaída.

    Se você usa ansiolíticos há meses ou anos sem acompanhamento psiquiátrico, considere agendar uma avaliação. A revisão farmacológica pode otimizar o tratamento, reduzir efeitos colaterais e, em muitos casos, permitir a retirada gradual de medicamentos que já cumpriram seu papel.

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    Psiquiatra · Psicogeriatra

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