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    Ansiedade7 min de leitura

    Crise de ansiedade: o que acontece no corpo e como diferenciar de um infarto

    05 Abr 2026 · Dr. João Pedro Castro

    A crise de ansiedade — clinicamente chamada de ataque de pânico quando atinge intensidade máxima — é uma das experiências mais assustadoras que um paciente pode viver. Taquicardia, dor no peito, falta de ar, formigamento nas extremidades, sensação de desmaio e medo intenso de morrer. Não surpreende que a maioria dos pacientes procure primeiro o cardiologista ou o pronto-socorro.

    O que acontece durante uma crise é, essencialmente, uma ativação desproporcional do sistema nervoso simpático. O cérebro interpreta uma situação (ou, em muitos casos, nenhuma situação externa específica) como ameaça iminente e dispara a resposta de luta-ou-fuga: liberação maciça de adrenalina e noradrenalina, aumento da frequência cardíaca, redirecionamento do fluxo sanguíneo para a musculatura, hiperventilação.

    A hiperventilação é o mecanismo central de vários sintomas da crise. Ao respirar rápido demais, o paciente elimina CO₂ em excesso, causando alcalose respiratória. Essa mudança no pH sanguíneo provoca vasoconstrição cerebral (tontura, sensação de irrealidade), parestesias em mãos e pés (formigamento), espasmos musculares e, paradoxalmente, a sensação de que não está conseguindo respirar — o que intensifica ainda mais a hiperventilação, criando um ciclo vicioso.

    A dor torácica do ataque de pânico tem características que ajudam a diferenciá-la de um evento cardíaco: costuma ser em pontada (não opressiva), pode variar com a respiração, dura minutos a horas (ao contrário da angina, que tem padrão mais definido) e se acompanha de outros sintomas ansiosos. No entanto, essa diferenciação deve ser feita por um médico. Pacientes com fatores de risco cardiovascular, dor torácica aos esforços ou sintomas atípicos precisam de investigação cardiológica antes de atribuir o quadro à ansiedade.

    Do ponto de vista diagnóstico, o Transtorno de Pânico é definido por ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos de pelo menos um mês de preocupação persistente com novos ataques ou mudanças comportamentais desadaptativas (evitar sair de casa, não dirigir, não ficar sozinho). Muitos pacientes desenvolvem agorafobia secundária — o medo de estar em situações nas quais a fuga ou o socorro seriam difíceis.

    O tratamento do Transtorno de Pânico combina psicoterapia (com forte evidência para Terapia Cognitivo-Comportamental) e farmacoterapia. Os antidepressivos da classe dos ISRSs (sertralina, escitalopram, paroxetina) são primeira linha. Benzodiazepínicos como clonazepam ou alprazolam podem ser usados pontualmente no início do tratamento, enquanto o antidepressivo ainda não atingiu efeito pleno, mas não devem ser o pilar do tratamento a longo prazo pelo risco de dependência.

    Durante uma crise, a técnica de respiração diafragmática lenta (inspirar contando até 4, expirar contando até 6) ajuda a interromper o ciclo de hiperventilação. Reconhecer que os sintomas são desconfortáveis mas não letais também é parte do manejo cognitivo. Se as crises são frequentes, o paciente precisa de acompanhamento psiquiátrico regular — não apenas manejo emergencial.

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